O brasileiro não economiza quando se trata dos seus bichos de estimação. Cães e gatos, que cada vez ganham mais espaço nos lares brasileiros, também estão ampliando sua presença nos gastos das famílias. Uma pesquisa da Associação Nacional dos Fabricantes de Alimentos para Animais (Anfalpet) mostra que a despesa média mensal do brasileiro com seus pets é de R$ 350 - o que equivale a quase 70% do salário mínimo, hoje em R$ 510.
A "mesada" vai para bancar custos como banho, tosa, alimentação e medicamentos, além de outros mimos, como acessórios e roupas. Em algumas famílias - principalmente as que têm mais de um animal - as despesas podem chegar a cifras próximas de R$ 1 mil. Um exemplo é a arquiteta e decoradora Sandra Mara Serpe Horlle, que tem oito cães. "Tínhamos nove, mas um deles faleceu em setembro do ano passado. Fomos cruzando os animais e daí tínhamos pena de nos separar dos filhotes", diz. A família canina inclui exemplares das raças maltês (Lilly Maria, Billy Chico, Cindy Carolina e Lyla Francine), yorkshire (Átila Augusto e Sushi Pedro), scottish terrier (Elga Regina) e poodle (Melanie Cristina). A conta: R$ 1mil por mês, gastos nos banhos semanais, na ração, e em mimos como roupinhas da estação, paticure (a manicure dos pets), enfeites, roupas de cama e brinquedos. Plano de saúde e ofurô.
O mercado de planos de saúde para pets é outro que começa a ganhar fôlego. Em Curitiba, algumas clínicas oferecem pacotes com direito a cobertura de consultas, exames, vacinas e check-ups. "É uma forma de fidelizar os clientes, que por sua vez têm mais tranquilidade na hora de cuidar do seu bicho de estimação", diz a médica veterinária Renata Guimarães, sócia da clínica Unisa. Segundo ela, a procura maior é por pacotes trimestrais, com preços que variam de R$ 25 a R$ 40.
Renata diz que o comportamento dos donos em relação aos seus bichos mudou muito nas últimas décadas. "No passado era comum a cachorrinha ter filhotes sozinha, em casa mesmo. Hoje é raro um parto que não tenha pelo menos o acompanhamento, ainda que por telefone, de um médico." Um parto normal assistido pode custar entre R$ 200 e R$ 400. Já uma cesariana pode variar de R$ 600 a R$ 900. Grandes operadoras também começam a atuar nesse segmento. A Porto Seguro criou um plano de saúde canino vendido junto com o seguro residencial.
Parte do crescimento do mercado de pets nos últimos tempos se deve a um fenômeno que os veterinários batizaram de "humanização" dos pets. Donos que estabelecem um vínculo tão forte com seus animais que passam a tratá-los como "gente", explica o médico veterinário Marcelus Sanson, dono na clínica Clinivet. "A mudança no ritmo de vida nas cidades, o aumento da violência e o distanciamento nas relações pessoais aumentaram o vínculo afetivo com os animais. Até boa parte da década de 90, o cão e o gato viviam no quintal e se alimentavam principalmente das sobras de comida. Hoje é muito diferente". Segundo ele, há uma preocupação maior com a saúde, a alimentação e o bem-estar dos animais. Mas esse fenômeno também vem gerando alguns exageros, na opinião dos médicos. "É preciso cuidado para não subverter a identidade dos animais. Nesse caso ele pode até mesmo desenvolver doenças". Mas muitos donos ignoram as críticas e não economizam nos mimos, que vão desde sessões de ofurô - que podem custar de R$ 30 a R$ 65 - a escolas de recreação, decoração de quartos, joias, perfumes e roupas de grife. Na Woof! Pet Boutique, alguns donos chegam a gastar R$ 2 mil em uma compra, diz a proprietária Mariana Lucca. A loja, inaugurada há um ano, também organiza eventos especiais, como o bloco de carnaval para cães. "A fantasia de cachorro quente foi a mais procurada."
A dona de casa Maria Brogiato Panizza desembolsa cerca de R$ 85 por semana somente com o banho das shi-tzu Mila, de oito anos, Meyllin, de sete, e Felícia, de seis, além de R$ 300 com a ração, que dura cerca de seis meses. "Elas são como um membro da família. A gente cuida como se fosse filho."
O consumo de produtos ligados a pets, como rações, medicamentos, acessórios, equipamentos e serviços, já gera um faturamento anual de R$ 9,1 bilhões no Brasil. No ano passado o setor cresceu em torno de 3% e para esse ano espera-se um avanço de até 5%.
No mercado de alimentos para pets, a participação mundial brasileira, hoje em 6%, deve crescer para algo próximo de 8% nos próximos dois anos, segundo Alfredo Capato Roldan, gerente de marketing da Anfalpet. A indústria farmacêutica também prevê avanços dentro do setor. De acordo com Luiz Luccas, presidente da Comissão de Animais de Companhia (Comac) e diretor da Merial Saúde, o mercado brasileiro vem crescendo a taxas de 5% a 7%. "Podemos chegar a um crescimento de 7% a 10% nos próximos anos, com o advento de novas tecnologias para prolongar a vida dos animais, combater o envelhecimento e doenças como depressão, obesidade e câncer."
Hoje, 44% dos lares brasileiros possuem pelo menos um cão ou gato, segundo levantamento Radar Pet 2009, estudo inédito que mapeou esse mercado nas principais capitais brasileiras. Em Curitiba, o porcentual de residências com pets é ainda maior: 55%. De acordo com a pesquisa, os animais de estimação estão concentrados principalmente em domicílios das classes A e B - com participação de 52% e 47% respectivamente.
O crescimento do número de lares com bichos de estimação também fez aumentar significativamente o número de pet shops - estima-se que sejam perto de 40 mil em todo o Brasil. Dono do pet Essência do Cão, no Bigorrilho, Alexandre Brey inaugurou uma nova unidade no Água Verde há seis meses. "Crescemos 30% em 2009 e devemos crescer o dobro disso em 2010", diz. "Há muita concorrência, até porque o investimento para abrir um pet é baixo (em torno de R$ 20 mil). Mas mesmo assim há espaço para todos", acrescenta Marcio Alessandro de Moraes, proprietário do Pet Happy, no Rebouças. De acordo com ele, somente no raio de um quilômetro do seu negócio funcionam mais sete pets.
De tudo
O montante gasto com cães e felinos, no entanto, alimenta um mercado que vai muito além dos petshops. Clínicas veterinárias, sites de relacionamento - existe até o Orkutcão -, cemitérios e até operadoras de turismo se voltaram para esse mercado. A Dog Tour, de Curitiba, foi a pioneira a oferecer pacotes de viagens rodoviárias para donos e seus "filhos de pelo", como costuma definir uma das sócias da agência, Maria Eugênia Bertoldi. A ideia de criar uma operadora para esse mercado surgiu da antiga proprietária, que tinha dificuldade para levar sua poodle Flavinha nas suas viagens.
Um pacote de viagem de um fim de semana para o dono e seu animal para Santa Catarina ou Paraná sai por cerca de R$ 1 mil. "Temos muita demanda e os hotéis agora começam a despertar para essa realidade. Muita gente simplesmente deixa de viajar se não puder levar seus cães", conta Maria Eugênia. Com previsão de crescer 30% em 2010, a empresa pretende passar a oferecer um roteiro aéreo, provavelmente para o Nordeste, ainda este ano. Também nos planos futuros está a adoção de um modelo de franquia para levar a iniciativa para outros estados.
(Jornal Gazeta do Povo/PR)
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Acesse o Blog da Ane Elisa, de Penápolis-SP. Clique aqui

"Se você pensa que à moda do Orkut é só para nós “humanos”, está muito enganado. Hoje o nosso melhor amigo o Cão, também faz parte desse universo on-line.
O http://www.orkutcao.com.br/ é um veículo de utilidade pública que apresenta como finalidade principal estabelecer um relacionamento mais estreito entre criadores, proprietários, empresas e profissionais envolvidos com animais de estimação.
No Orkut para cães, você também encontra informações para os seus gatinhos. Nesse site você encontrará dicas de tratamentos para os pêlos, unhas e muito mais.
Se você tem ou esta pensando em ter um cãozinho ou gatinho, vale apena acessar o site Orkut Cão para ficar por dentro de todas as novidades para seu bichinho de estimação e das melhores Clínicas Veterinárias e Pets-Shop do Brasil."
O valor sobe muito se, além das necessidades básicas do animal, somarem-se consultas ao veterinário, remédios, fisioterapia, adestramento, hotel, roupas, camas e acessórios de grife. Contra o argumento de que gastar com o bicho de estimação é frescura, Ricardo Mangold, diretor da revista Papo de Pet, lembra que a despesa é muito maior quando o animal apresentar uma doença. Ele cita como exemplo gastos substanciais com remédios específicos para tratamento de cães afetados com doença nos ossos – osteoporose. “Custa R$ 100,00. O básico não é frescura”, define. A jornalista Priscila Merlino, também diretora da Papo de Pet, cita que só a pasta de dentes para cães custa R$ 42,00. Ela possui um casal de maltêses de 3 anos e os animais freqüentam sessões no pet shop semanalmente. O kit para os cuidados semanais inclui escovação dos dentes, xampu específico para cada pelagem, corte de unhas e penteado. Mangold compara que uma ração de qualidade equivale a um quilo de carne filé mignon, atualmente na faixa dos R$ 18,00. O quilo da ração sai por R$ 22,00, entretanto dura um mês para animais pequenos. Para ele, o valor da ração não é nada se comparado ao bem-estar proporcionado ao animal que consome alimento de altíssima qualidade. A moda também tem seu preço no mundo pet. Coleiras, peiteiras e jóias de alto padrão são adereços que completam o mundo fashion dos animais. No desfile do 1.º Pet Fashion, ocorrido em Bauru no último domingo, um cão da raça whippet desfilou com peças produzidas por uma empresa do Rio Grande do Sul. O animal é do casal de médicos veterinários Daniele Scandolara Gonçalves e José Eduardo Roselino Ribeiro, que cria cães das raças whippet, bulldog inglês e shih-tzu em um canil, em Arealva, desde 2002. O casal também possui uma fábrica de produtos voltados para pets. No portfólio da empresa, estão colchões, almofadas, camas, pet sleep, edredon, sacolas bags para levar os animais, mochila canguru, entre outros produtos. Conforme o esteticista canino Johnny Herbert Franco, está muito na moda transformar o animal. Um dos recursos é pintar a pelagem com tinta especial. Ao custo de R$ 40,00, um cão da raça poodle pode sair com cara de ursinho panda, o “dog panda”. O cuidado com cães e gatos evitaria a prática do abandono quando o bicho de estimação fica doente ou velho. Os animais têm o poder de cativar toda a família: pais, filhos, avós, tios, tias, primos, amigos e parentes se juntam quando o assunto é o animal preferido. Esse pode ser o ingrediente responsável pelo “boom” do setor denominado pet. A revista especializada Papo de Pet e o sites como www.orkutcao.com retratam o interesse em conhecer esse universo, que só tende a crescer.
A frase “como se fosse meu filho”, recorrente entre donos de animais de estimação para expressar o zelo com o pet, vale também para aferir comparativamente o quanto se gasta por mês para mantê-lo saudável. O custo com um cão pequeno cercado de cuidados pode facilmente ultrapassar R$ 300,00 mensais. Neste valor incluem-se ração, vacinas, tosas, banhos e acessórios, como roupinhas.
São José do Rio Preto, 25 de Janeiro de 2009 
Adrianna Renesto com seus cães Fung, Lolita e Rebeca: página no orkut
Vívian LimaHamilton Pavam 
Aos 4 anos, Bibble procura no orkutcão uma shih-tzu fêmea para se relacionar
Rede pet
Apesar de haver quem use o orkut, site de relacionamento de pessoas, para divulgar o perfil de seus animais, há quem prefira colocá-los em uma página destinada só para bichos. São várias as opções. Dentre elas, o orkupet. Lá os animais formam rede de amigos, podem se filiar a comunidades, expor o próprio perfil e de seu dono. Há espaço para fotos, vídeos, possibilidade de mandar e receber recados. No orkupet já existem 32 bichinhos de Rio Preto cadastrados. A participação também é forte na petkurt, que até a tarde de ontem tinha 198.937 pets cadastrados e 12.260 comunidades criadas.
A psicóloga Cristiane Paschoa, 33 anos, criou o perfil de Nayra e Frida - duas fêmeas da raça schnauzer - no orkut. Na descrição do perfil, ela define o gênio de cada uma. “A Frida é mais ranzinza e a Nayra, por ser mais nova, é mais brincalhona.” Nayra tem até um namorado virtual. As cachorras já participaram de um amigo secreto. Um site faz um sorteio entre os emails dos donos de animais cadastrados e depois os presentes - coleiras, almofadas, entre outros acessórios para pets - são encaminhados pelo correio. “É uma forma de manter contato. É uma brincadeira entre os donos dos animais e uma forma de carinho.”Sérgio Menezes 
Vida de cão: a cadela Cristal usa vestidino vermelho ‘de gala’
A jornalista Mariana Daher criou o perfil de Nina, uma fêmea dachshund, para saber mais sobre o comportamento da cachorra. “Procurei informações sobre a raça dela, sobre o que pode causar problemas de coluna e dicas de alimentação adequada.” A advogada Adrianna Camargo Renesto, 39 anos, tem três cães da raça shih-tzu - o macho Fung e as fêmeas Lolita e Rebeca. Lolita tem perfil no orkut. Adrianna participa de várias comunidades em defesa dos animais e tem vários cachorrinhos como amigos no mesmo site de relacionamentos. Para a advogada, a internet trouxe mais uma forma de aproximação e carinho entre animais e humanos. “Quem gosta muito de animais se relaciona com o cão como se ele fosse um amigo de verdade. A internet pode tornar o cão mais próximo ainda.”Guilherme Baffi 
Após banho, sessão de ofurô e chapinha, a shih-tzu Manuela descansa
Petshop oferece de ofurô a roupas de gala
Além de perfil na internet, eles têm banho de ofurô, fazem hidratação, cauterização, luzes e usam roupa de gala. Esses são alguns serviços e produtos que os animais já têm a sua disposição. “Temos hidratação de morango, chocolate, melancia”, explica a dona de um pet shop de Rio Preto, Tânia Roncato.
Já o clima quente da cidade faz com que as roupas para animais sejam procuradas em ocasiões especiais e época de inverno, diz Doraci Mateus, proprietária de um pet shop. “A temperatura aqui é muito alta, mas no Natal, por exemplo, vendemos muito bem.” Não adianta investir em tratamentos estéticos se o animal não tiver uma boa ração, alertam os especialistas. “O cachorro hoje é um membro da família. Ninguém mais dá resto de comida, dá ração específica. Hoje há rações para animais com problema no coração, para alérgicos, obesos”, conta José Flores, responsável por uma loja que vende artigos para animais.
No estabelecimento da veterinária Juliana Gabarron Camargo há desde padaria a tratamentos estéticos para os bichos. “Trabalhamos com florais de Bach, temos banho de ofurô com sais relaxantes, pétalas e energizantes. Fazemos chapinha, cauterização e tintura.” Dona de um pet shop, Cleide Silvares de Moraes explica que os donos de cães adultos podem gastar desde R$ 12 em um banho simples até R$ 100 em tratamentos estéticos mais complexos. Além das novidades da área estética, a loja de Cleide tem produtos como o kit higiênico e a coleira antilatido.
O primeiro pode ser acoplado na coleira do bicho. Dentro de uma pequena estrutura de plástico ficam armazenados saquinhos para coletar as fezes do animal, quando ele sai a passeio. O segundo produto é uma coleira movida à bateria. O dispositivo faz com que o som do latido incomode o ouvido do cachorro e assim ele para de latir excessivamente. Mas alguns donos impõem limites aos cuidados excessivos. “Não gosto de cachorros com unhas pintadas, de cachinhos. Acho que isso é uma agressão, falta de respeito com o animal”, diz a advogada Adrianna Camargo Renesto.





